domingo, 6 de março de 2011L'Angleterre Interdite Quando a mata que nos cercava desapareceu, mostrou-se algo não muito diferente da França, mas totalmente novo. Até os cavalos pareciam bem mais saudáveis. Saltei maravilhado na terra firme, meu novos amigos me guiaram para longe daquela bagunça. Ninguém falava com ninguém se não fosse para comparar ou vender, só corriam de um lado para o outro tentando comercializar sua mercadoria.
No porto era diferente. Os barris eram carregados amigavelmente por dois caras risonhos e sujos, as únicas mulheres que ali se encontravam estavam se despedindo dos maridos chorosas com seus filhos – futuros marinheiros – no colo. Era uma família, mas essa palavra não fazia mais parte do meu vocabulário.
A parte mais difícil de todas foi o Inglês, eu sempre pensei que soubesse bastante da língua. Meu pai era Inglês e ele adorava compartilhar seu vasto conhecimento sobre a língua e as historias da Inglaterra quando eu tinha por volta dos 6 anos. Pouco antes dele partir. Conseguia decifrar as frases que me diziam, mas ninguém sabia o que eu estava dizendo, de acordo com eles eu falava como um selvagem e com um sotaque de encher os ouvidos. Logo me mandavam parar de falar.
Rupert e Preston me levaram a uma pequena cabana bem na encosta do mar. Deixaram-me a porta com um aviso de só entrar quando mandarem. Não dava para ouvir tanta coisa, e ainda mais com o meu inglês limitado, o entendimento era mínimo. Preston havia dito que aquela era a cabana do Capitão, acho que comunicariam que conseguiram um novo cozinheiro. No caso, eu.
— Bem, estávamos mesmo precisando de um novo cozinheiro... — Disse uma voz estranhamente familiar, mas não era a de Rupert nem de Preston. Era muito mais autoritário e exalava confiança. — Posso vê-lo?
— Ele está lá fora, esperando para ser chamado. — Proferiu Rupert.
Ouvi a cortina da cabana se abrir abruptamente, e olhos muito azuis e cansados pelo tempo me olharam pela fresta da janela, estava muito escuro lá dentro pelo que consegui ver, e a cortina se fechou da mesma forma. Não consegui distinguir nada no homem a não ser aqueles olhos que me examinaram. Segundos depois a mesma voz gritou:
— UM GAROTO? VOCÊS ME TRAZEM UM GAROTO PARA O MAR?
— Bom, Capitão. Todos na cidade já conhecem a nossa fama, ninguém arriscaria tanto por um preço tão baixo. — Começou Rupert com a voz tremula. — Além disso, partiremos ainda hoje. Está muito tarde para arrumar outro cozinheiro.
— Tudo bem, tudo bem. Nos livramos do garoto assim que arrumarmos um bom cozinheiro. — Acrescentou o Capitão — Ele é só um menino, mal deve saber cozinhar. Qual é o nome dele?
— Riley, senhor. O nome dele é Riley.
— De sobrenome... — Insistiu o capitão.
— Ele diz não ter família. Logo não tem segundo nome. — Ele pareceu dar os ombros. — É só Riley.
O capitão bufou e disse para estarmos prontos em meia hora. Sim, ele havia me incluído. Ouvi os dois marujos caminhando até a porta e sai de perto dela em seguida, tomando uma expressão descontraída. Mas sabia que meu rosto inspirava culpa. Eles deviam saber que eu estava espionando como um ladrão, e aquele sorriso zombeiro que foi dirigido a mim denunciou minhas expectativas. Mas eu não ligava para o que eles pensavam de mim, eu fui aceito! Em menos de uma hora eu estaria dentro de um navio, me despediria da antiga vida, para dar espaço a uma nova. Eu esperava que fosse pra melhor.
blogué
19:05 | + | poster un commentaire
1 Commentaires:
Sinto que esse guri conhece o Capitão oia/
By Ronaldo C. Junior, at 6 de março de 2011 às 20:09

Il n'y a pas de place comme l'océan. vous pouvez essayer de trouver, mais vous ne trouverez jamais. pas en 1758 xx.