Il n'y a pas de place comme l'océan. vous pouvez essayer de trouver, mais vous ne trouverez jamais. pas en 1758 xx.
avec l'amour, Riley
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domingo, 6 de março de 2011
L'Angleterre Interdite Quando a mata que nos cercava desapareceu, mostrou-se algo não muito diferente da França, mas totalmente novo. Até os cavalos pareciam bem mais saudáveis. Saltei maravilhado na terra firme, meu novos amigos me guiaram para longe daquela bagunça. Ninguém falava com ninguém se não fosse para comparar ou vender, só corriam de um lado para o outro tentando comercializar sua mercadoria.
No porto era diferente. Os barris eram carregados amigavelmente por dois caras risonhos e sujos, as únicas mulheres que ali se encontravam estavam se despedindo dos maridos chorosas com seus filhos – futuros marinheiros – no colo. Era uma família, mas essa palavra não fazia mais parte do meu vocabulário.
A parte mais difícil de todas foi o Inglês, eu sempre pensei que soubesse bastante da língua. Meu pai era Inglês e ele adorava compartilhar seu vasto conhecimento sobre a língua e as historias da Inglaterra quando eu tinha por volta dos 6 anos. Pouco antes dele partir. Conseguia decifrar as frases que me diziam, mas ninguém sabia o que eu estava dizendo, de acordo com eles eu falava como um selvagem e com um sotaque de encher os ouvidos. Logo me mandavam parar de falar.
Rupert e Preston me levaram a uma pequena cabana bem na encosta do mar. Deixaram-me a porta com um aviso de só entrar quando mandarem. Não dava para ouvir tanta coisa, e ainda mais com o meu inglês limitado, o entendimento era mínimo. Preston havia dito que aquela era a cabana do Capitão, acho que comunicariam que conseguiram um novo cozinheiro. No caso, eu.
— Bem, estávamos mesmo precisando de um novo cozinheiro... — Disse uma voz estranhamente familiar, mas não era a de Rupert nem de Preston. Era muito mais autoritário e exalava confiança. — Posso vê-lo?
— Ele está lá fora, esperando para ser chamado. — Proferiu Rupert.
Ouvi a cortina da cabana se abrir abruptamente, e olhos muito azuis e cansados pelo tempo me olharam pela fresta da janela, estava muito escuro lá dentro pelo que consegui ver, e a cortina se fechou da mesma forma. Não consegui distinguir nada no homem a não ser aqueles olhos que me examinaram. Segundos depois a mesma voz gritou:
— UM GAROTO? VOCÊS ME TRAZEM UM GAROTO PARA O MAR?
— Bom, Capitão. Todos na cidade já conhecem a nossa fama, ninguém arriscaria tanto por um preço tão baixo. — Começou Rupert com a voz tremula. — Além disso, partiremos ainda hoje. Está muito tarde para arrumar outro cozinheiro.
— Tudo bem, tudo bem. Nos livramos do garoto assim que arrumarmos um bom cozinheiro. — Acrescentou o Capitão — Ele é só um menino, mal deve saber cozinhar. Qual é o nome dele?
— Riley, senhor. O nome dele é Riley.
— De sobrenome... — Insistiu o capitão.
— Ele diz não ter família. Logo não tem segundo nome. — Ele pareceu dar os ombros. — É só Riley.
O capitão bufou e disse para estarmos prontos em meia hora. Sim, ele havia me incluído. Ouvi os dois marujos caminhando até a porta e sai de perto dela em seguida, tomando uma expressão descontraída. Mas sabia que meu rosto inspirava culpa. Eles deviam saber que eu estava espionando como um ladrão, e aquele sorriso zombeiro que foi dirigido a mim denunciou minhas expectativas. Mas eu não ligava para o que eles pensavam de mim, eu fui aceito! Em menos de uma hora eu estaria dentro de um navio, me despediria da antiga vida, para dar espaço a uma nova. Eu esperava que fosse pra melhor. 



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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Il était une fois en France Os primeiros raios de sol invadiram timidamente o céu, mas de qualquer forma ainda estava escuro e um frio cortante passeava sobre as ruas francesas. Eu ainda estava debruçado sobre a mesa de madeira empoeirada com os olhos vermelhos pela tristeza. Um estrondo na mesa me fez pular da cadeira muito rapidamente.
— O desjejum não está pronto, Riley. Por quê? — Proferiu a mulher alta com seu tom autoritário de sempre.
Enxuguei a lagrima que estava a tempo manchando meu rosto e fiquei de costas para ela, voltando-me para os pequenos armários da cozinha. A massa de pão estava bem a frente, não demoraria muito tempo para assá-la. Ainda bem que eu tinha preparado muita massa para mais de quatro dias. A mulher tocou em meu ombro e eu deixei os copos caírem nervosamente fazendo um estrondo.
— Querido, já faz dois meses. — Disse ela, virando-me para olhar em meus olhos molhados. — Está na hora de esquecer.
Vir-me-ei bruscamente voltando a meu serviço. Como assim esquecer? Foram só dois meses, como ela poderia ser tão insensível? Ela estava falando da própria irmã! Ah, como eu sentia a falta dela, das boas manhãs de segunda feira antes de ir para escola, onde eu não precisava fazer o trabalho de ninguém, para ninguém. Mas a pior coisa não é a falta que ela fazia, era ter que morar com a minha tia.

xxx

— Eu vou fugir, Charlotte. Vou fugir para a Inglaterra. — Proferi naquele mesmo dia. Estava farto daquela vida, e a Inglaterra era o berço de tanta fortuna e oportunidades. Eu ia conseguir. — Eu guardei algum dinheiro que minha tia me da para fazer as compras, um bom dinheiro.
— Mas a Inglaterra? O que um garoto Frances de 15 anos faria lá? Quem te daria do que comer, onde você iria morar, Riley? — Charlotte parecia apreensiva, e pensou muito mais em segundos do que eu em horas. Não havia chegado a tantos detalhes, mas tinha certeza de uma coisa. Eu iria.
— Isso não importa agora, Charlie, eu vou. — Parei de andar e a encarei. — Você não vive o que eu vivo todos os dias. Sei fazer muitas coisas, posso ser aprendiz de ferreiro ou algo do gênero. Eu conseguirei.
O silencio se seguiu matador depois disso, faltavam poucos minutos para chegar à casa de Charlie quando ela suspirou e tomou coragem para dizer com olhos abaixados:
— Irei com você.
Eu sorri constrangido e lhe beijei a testa.
— Partiremos em três dias.

xxx

Olhei para a França como se fosse vê-la pela ultima vez. Fiquei plenamente feliz por ter abandonado Tia Catarine, mas por outro lado Charlotte ia ficar muito irritada ao ver que parti na mesma noite em que lhe contei que ia fugir, podia até imaginar seu rosto tristonho ao ler a carta que joguei por sua janela.
A carroça sacolejava e me fazia pular toda vez que passava por um buraco, mas o feno conseguia me manter a salvo de belos solavancos. Eu dividia o local de carga com mais homens, ambos deviam ter por volta dos 35 anos, com barbas espessas, e junto a boca, dentes amarelados. Pareciam se conhecer de longa data, dava para ver pelas risadas e longas historias sobre os mares.
Eles me contaram sobre os tesouros achados, monstros marinhos, navios saqueados. Era um mundo completamente novo, eu não havia provado de tal beleza tão salgada e doce ao mesmo tempo. E então, eu soube. Era isso que eu queria fazer. Não importava o passado ou quem estivesse no futuro, o importante é que eu estivesse nele.
— Então, garoto, porque está indo para a grande Londres? — O mais barbudo (que pouco tempo depois descobri que se chama Rupert) perguntou.
— Quero um emprego, senhor. Estou fugindo de casa. Cansei do meu passado. — Proferi timidamente, e os homens deram gargalhadas estrondosas.
— Então, quer um emprego, garoto? — Continuou Rupert. E eu assenti esperançoso. — Você sabe cozinhar?



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